Caminhos à democracia: uma pequena reflexão

 O homem contemporâneo gira a pedra áspera do isqueiro com o polegar e em menos de um minuto, desvairado, as chamas se formam diante de si. Neste momento único quer esteja pronto a acender o cigarro, quer carbonizar uma fogueira ao ar livre para se aquecer enquanto conversas animadas com a família se desenrolam. Longe deste conforto modernizado, nas choupanas e aldeias de Cabo Delgado, um casal luta na conservação primitiva do fogo que denuncia o naufrágio da hombridade e o declínio das condições mínimas. Esta família se vê diante da instabilidade e insegurança instaurada pelos frequentes ataques dos terroristas sem rosto, os quais às vésperas das 6ªs eleições autárquicas[1], parecem ser silenciados.

As condições dessa família frelimizada desde os esforços socialistas não se questiona o porquê de se encontrar na posição deplorável contrastando com a vertiginosa riqueza natural e a exportação dos bens do Estado em troca de sorumalização dos discursos, da máquina burocrática e a concessão do salário magro que seda a mente dos Antigos Combatentes e colocam, frémitos, no pedestal o Partido que já abandonou os ideais de desenvolver o País. Os soldados estão ao serviço do Partido e as instituições igualmente estão partidarizadas. Para se ter um negócio rentável privado é preciso, se aliar ou corromper, os guardiões vermelhos e, caso contrário, os serviços estão condenados a falir. Eis, nós moçambicanos, sobretudo, os jovens pensarmos o futuro que queremos quando formos velhos e dos nossos filhos. Queremos uma Nação débil em seus serviços sociais e onde a corrupção impera? Moçambique existe ou apenas é para uma súcia corrupta que dispõe de imunidade política?

Colocarmos questões deste género despertará a nossa capacidade reflexiva e de crítica. O problema mais evidente é de que há mais bares de venda de cervejas do que cantos de reflexões académicas concernentes o dirigismo politico deste país lamacento. A que ainda questionar-se da vitalidade da nossa governação e a tentação de pensarmos na imortalidade do Partido que isto impera e dissolveu-o em uma ditadura. A liberdade de expressão algemada, os direitos civis cassados, o desemprego, a fome, a inércia dos combatentes, a dormência dos filhos dos combatentes, a associação eclesial às linhas ténues da irreflexão e o conforto que a teologia da predestinação e da vontade do pai, a gesta ágrafa e uma educação periclitante enclausura e retarda o progresso. Assim, o parasitismo partidário encontra bonança para fortalecer-se como ideologia que não encontra maiores resistências concretas.

 



[1] As eleições ocorridas no dia 11 de Outubro de 2023. 


[1] As eleicoes ocorridas no dia 11 de Outubro de 2023.


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