QUEREMOS EVIDÊNCIAS…!
Supunha-se
não existir corrupção naquela reunião, deixaram-se ser cegos e declararam-me ser
o culpado pela reprovação. Estávamos na reunião da Frelimo com o administrador do
distrito de Rapale, excelentíssimo Salvador Talapa, e quando reclamei sobre o
desemprego que assola o país e a invisibibilidade de jovens nos projectos se não
se engajam activamente no lambebotismo mais cru dos que estão na dianteira
governativa recebi um monte de críticas severas, insípidas e intimidantes. Queria-se
evidências do que eu acabara de declarar…!
No
meu país, Moçambique, não há corrupção e a culpa é de nós jovens desocupados
sem projectos que delegamos o Estado o destino de nossas vidas – eis o
argumento que se entrevia nas intervenções da magna sala. E, olha só, como o
sistema de saúde é debilitante. A nossa educação está uma lástima. A maioria
dos alunos que termina a 12ª classe escrever o nome completo tem sido uma equação
logaritímica complexa. É preciso, elevando os custos dos Pais e Encarregados de
Educação, submetê-los a uma educação privada e personalizada. Os ricos, as
pseudo-elites que se apropriam das nossas terras, o nosso suor e os nossos
recursos minerais quando adoecem deixam para trás os formados na Unilúrio e se vão
a Europa à procura das cirurgias sucedidas, tratamentos num ambiente
monitorizado e climatizado, em nome da convalescença. E depois? Em todos Outubros,
geralmente, somos compelidos e paparicados a votar para se dar a visão internacional
de que somos um Estado democrático. Como isto é democracia? Porque não democratizam
as cores partidárias para também terem o acesso igualitário aos concursos públicos?
As
eleições autárquicas movimentam falsos moradores aos locais de eleições, não há,
mesmo de longe, um pingo de transparência. Só o há quando nos querem mimar. Somos
marionetes neste governo fora de carris. A Educação lança vagas ocupadas. Quem não
se lembra das vagas leiloadas em Lalaua e as ocupadas em Liúpo e Moma? Porque moçambicanos
perdemos tempo nestas universidades de embrutecimento e de criação de
chutadores de lata?
Nós
temos curta memória. Somos nós jovens que depois afluímos aos locais de eleições
e votamos no nosso opressor. Um que não nos cumpre com as promessas. Porque somos
tão burros ao ponto de sermos instrumentalizados? Somos nós jovens que nos
alistamos a vida militar para proteger às comunidades e permitir a manutenção
do poder deles. Somos nós que nos tornamos polícias e permitimos novamente a manutenção
de poder deles. Somos nós que compomos a maioria desta sociedade e por que, então,
somos tratados sem cortesia nenhuma?
Nós
somos o pulmão deste país de igual modo que o é Amazonas para o Brasil.
A
minha avó, Nshalaba, não se entregou ao Mayombe [às matas] para se me oferecer
este futuro. Não, os milhares de antigos combatentes não sonharam este país. Eu
amo a FRELIMO, mas por esquecer a prole dos que deram o sangue para o país e
virar às costas revolta-me e espero publicar com mais objectividade as misérias
que não te contam. É uma pessoa que nunca imaginei ser, mas um grito assim é necessário.

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