CONTRAINSURGÊNCIA - RELAÇÃO MORAL DOS ATAQUES JIHADISTAS NO NORTE DE MOÇAMBIQUE
“O homem pode viver de duas maneiras: ou ele pode viver segundo os ditames dos outros – os puritanos, os moralistas – ou pode viver de acordo com a sua própria luz”OSHO (2016) .
Os Ataques na provincia norte de Cabo Delgado é uma situaҫão que não encontra um adjectivo que esmiuce a dimensão macabra e bárbara que o ser humano está fazendo com o seu semelhante. Cabo Delgado é a menina mais bonita do país, a exorbitante beleza atrai as multinacionais, os megaprojectos, os “benfeitores” - exploradores insatisfeitos que teria, por conseguinte, ocasionado os famigerados insurgentes responsáveis pelo deslocamento de milhares de pessoas para diversos pontos do país. Einstein tinha toda razão ao afirmar que duas coisas são infinitas: o universo e a brutalidade do homem. Esta última é o reflexo do que estamos vivendo nos últimos tempos em Cabo Delgado. Eu concordo tanto com Einstein que acrescento de que a brutalidade humana não sό é de uma dimensão cόsmica, como também constitui um atentado ao prόprio cosmo. Entretanto, há quem vai mais longe dizendo que os terroristas no norte de Cabo delgado não têm rosto, mas nόs todos sabemos que eles não sό têm rosto, inclusive têm uma bandeira que confere-lhes sua identidade: a bandeira do Estado islâmico. Os recentes ataques a Palma é prova inequívoca de que os terroristas são donos de grandes equipamentos bélicos o que aumenta suas ambições hegemόnicas onde, eventualmente, poderão a qualquer momento invadir Pemba e, subsequentemente, sem querer ser pessimista, virar sua atenҫão as restantes provincias de Nampula e Niassa, portanto é um motivo para dizer que toda zona norte sente-se neste momento ameaҫada. É preciso uma atitude a altura. Engane-se quem pensa que estamos aqui para sermos felizes(?) “Shopenhauer”. Seria a consciência moral meditativa um factor determinate para os homens? que tipo de moralidade o homem actual precisa ter? seria esta moral adequável a situaҫão em que estamos vivendo? será uma moral autόnoma e consciente, suficientemente capaz para derrubar os obstáculos ideolόgicos, políticos e sociais? Este ensaio analisa em sua largueza o fundamento moral dos ataques terroristas na provincia de Cabo Delgado no norte de Moçambique, procura todavia, encontrar o fulcro da práxis humana a partir da contribuiҫão da icόnica obra do escritor Osho. .
Da Acҫão a consciência
“Suas acções não me dizem respeito; sua consciência sim. Se a sua consciência permite a você fazer alguma coisa, tudo bem – faça. Não fique preocupado com nenhuma escritura sagrada, com nenhum profeta. E se a sua consciência não permite a você fazer algo, então não faça. Mesmo que Deus diga“Faça-o!”, não importa – você não pode fazê-lo.”
A questão da moralidade é imensamente significativa, porque a moralidade não é aquilo que fomos ensinados ao longo dos séculos. Todas as religiões têm explorado a ideia de moralidade. Elas a ensinam de maneiras diferentes, mas a fundação básica é a mesma: a menos que você se torne moral e ético, não pode se tornar religioso. Mas a moralidade extrapola qualquer tipo de religiosidade. Colocar a moralidade antes da religiosidade é um dos maiores crimes que as religiões têm cometido contra a humanidade. Pelo contrário a moralidade deve partir do intimo de cada um e não do exterior. Uma acҫão verdadeiramente moral é aquela que parte da meditaҫão intrinseca e sem mnhuma influência externa. Há muitos dispositivos, muitas maneiras e métodos de meditação para criar percepção, para despertar sua intuição adormecida. E quando ela está desperta, não há necessidade de dizer o que é bom, o que é moral, o que é ruim, o que é imoral; sua percepção será decisiva por si só. E será espontânea, fresca e jovem, e sempre pertinente, porque todos os princípios se tornam mortos. E se tentar adequar a sua vida segundo princípios, você também se tornará morto.
Foi isso que aconteceu aos cristãos, hinduístas, muçulmanos, jainistas, a todas as pessoas do mundo: elas estão vivendo segundo princípios mortos. E esses princípios mortos não estão adequados à realidade não conseguem se adequar. Tugendhat chamou a isso de consciência moral contemporânea, que consiste em grande parte na tradiҫão cristã. A pergunta que pode eventualmente suscitar é se o sistema é bom porque a autoridade assim o deseja ou se ela o deseja desse modo porque ele é bom? Somente uma consciência espontânea. Um ser humano consciente é como um espelho: ele reflecte a realidade e responde de acordo. Sua resposta é moral.
Portanto estamos aqui a tentar descentralizar toda a ênfase da acção para a percepção. E se cada vez mais pessoas conseguirem se tornar perceptivas, o mundo será um lugar totalmente diferente. Um homem de percepção nunca irá à guerra. Embora as escrituras religiosas digam que sacrificar a si mesmo por sua nação, por sua religião, é virtuoso, um homem de consciência não pode seguir essa ideia morta. Para ele, a nação em si é uma ideia imoral porque divide a humanidade. E a guerra por mais que certas vezes tenha tido o beneplácito de Deus a semelhanҫa de Jericό (Josué 6, 17_18) ela é certamente imoral. Você pode encontrar nomes bons, palavras boas – às vezes é religião, às vezes é ideologia política, às vezes é Cristianismo, às vezes é comunismo – boas ideias, mas a realidade está transformando os seres humanos em açougueiros. As pessoas estão matando outras pessoas que jamais sequer conheceram. E sabem perfeitamente bem que, assim como eles deixaram uma esposa para trás, chorando, esperando por eles; assim como deixaram sua velha mãe e seu velho pai em casa, esperando que o filho volte vivo; assim como deixaram filhos pequenos... os homens que eles estão matando também têm uma mulher, também têm filhos, também têm uma velha mãe e um velho pai. E eles não fizeram nenhum mal aos outros e vice-versa.
“Se o mundo se tornar um pouco mais consciente, os terrorista vão largar suas armas e abraçar uns aos outros, sentar juntos debaixo de uma árvore e conversar fiado. Os políticos não podem obrigar todos os exércitos a matar, a assassinar. Nem os papas, os líderes religiosos, podem convencê-lo de que, em nome de Deus, você tem que matar. Estranho... porque Deus criou todos. Quem quer que você esteja matando, está matando a criação de Deus. Se é verdade que Deus criou o mundo, então não deve haver guerras. É uma família; não deve haver nações. Estas são coisas imorais: as nações, as religiões, qualquer coisa que discrimine as pessoas e crie conflito.”
Um homem de percepção não será ganancioso porque será capaz de ver que sua ganância irá criar pobreza; e as pessoas que estarão passando fome e morrendo por causa da pobreza são seus irmãos e irmãs. E este é o facto decisivo que leva com que os jovens engrossem cada vez mais as fileiras dos insurgentes – a má distribuiҫão da riqueza, a falta de emprego etc. Os políticos, os padres, os sheikes, até os pedagogos estão todos tentando criar uma falsa humanidade; estão criando seres humanos insinceros. Podem não ter tido a intenção de fazê-lo, mas foi isso que aconteceu. E uma árvore vai ser julgada por seus frutos, não importa qual tenha sido a intenção do jardineiro. Se ele plantou sementes de ervas daninhas esperando, pretendendo, desejando que crescessem rosas apenas por causa de suas boas intenções, rosas não crescerão de ervas daninhas. Ele destruiu todo o campo. Impor uma determinada estrutura de caráter a alguém é torná-lo insincero, é torná-lo um hipócrita. É exactamente isso que aconteceu com grande parte das pessoas que fazem mal as outras, deverá ser, na melhor das hipόteses, o caso dos que insurgiram-se em Cabo delgado?
Contudo, para terminar, um outro aspecto, mas nem por isso menos importante, é que um homem de consciência não pode ser enganado por palavras. Os muçulmanos dizem que se você morrer em uma guerra religiosa…Como pode haver uma guerra religiosa? A guerra é basicamente irreligiosa. Mas os cristãos, os muçulmanos e todas as outras religiões dizem que se você morrer em uma guerra religiosa sua recompensa será maior no outro mundo. Por esse acto imoral de matar pessoas, você será recompensado. Belas palavras, “guerra religiosa”. Um homem de percepção enxerga profundamente e penetra em suas palavras. Nem seu Deus pode enganá-lo, nem seus livros sagrados podem enganá-lo, nem suas nações, nem seus políticos. Ora, Os políticos tentam de todas as maneiras possíveis fazer com que a sociedade viva de acordo com suas ideias, e é claro que fingem para os outros e para si mesmos que estão prestando um “serviço público. Mas no fundo estão impondo ideologias que no final resultam no seu imbrόglio.
Pedro Sebastiao Joaquim
Endereço eletrόnico:pedrojoaquim1999@gmail.com


Vamos?
ResponderEliminarClaro, Mr enigmático!
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